Hoje começamos uma série relatos sobre os vinhos do novo mundo e, por unanimidade, optamos pela história do vinho na Serra Gaúcha, por se tratar da maior representante do vinho fino do nosso país.

A história da viticultura no Brasil começou em 1532 com a chegada de Brás Cubas no Brasil, trazendo a primeira muda vinífera em São Vicente, litoral paulista.

Não precisamos nem explicar detalhadamente que a experiencia foi um fracasso, já que o calor e excesso de umidade do clima litorâneo não são nem um pouco favoráveis ao desenvolvimento da uva. Anos mais tarde, passando a cultivar suas mudas na antiga cidade Campo de Piratininga, atual São Paulo, Brás Cubas conseguiu produzir o primeiro vinho brasileiro em 1551 a partir das castas Malvásia, Bastardo e Tinta.

A chegada dos missionários jesuítas no Rio Grande do Sul aconteceu em 1626, levando a videira espanhola para cultivo. Porém, por conta do abandono das Missões, a cultura vitivinícola não foi desenvolvida na época. Apenas a partir de 1870, quando os imigrantes italianos das regiões do Vêneto e do Trentino-Alto Ádige chegaram à região, a história do vinho passa a fazer parte da Serra Gaúcha.

História do Vinho na Serra Gaúcha

A chegada dos imigrantes italianos na Serra Gaúcha trouxe o cultivo de uvas tipicamente italianas à região, como Barbera, Bonarda, Moscato e Trebbiano. Na época, o consumo do vinho era familiar, contudo, no século XX grandes nomes chegaram à região transformando a Serra Gaúcha na mais importante região vitivinícola do Brasil.

Vinícola Mônaco (1908), Salton (1910), Dreher (1910) e a Armando Peterlongo (1915) foram as primeiras a se instalarem, seguidas da cooperativas Garibaldi e Aurora (1931), atualmente a maior vinícola do país.

Importante destacar que a produção das uvas tipicamente italianas correspondiam à uma pequena parcela dos vinhos. A maioria ainda eram produzidas a partir de uvas de casta americana ou uvas híbridas e, na época, a técnica de cultivo focava da larga produção em sistema de videira latada (pergolado) e baixa qualidade das uvas. Deste período, veio a fama dos vinhos populares do Brasil.

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O Momento de Mudança do Vinho Nacional

Apenas nos anos 70 que a produção de vinhos no Brasil passou a ter destaque no mercado por seus vinhos de qualidade. O motivo da evolução foi a instalação de empresas estrangeiras na região que trouxeram uvas de origem européia e equipamentos modernos de vinificação, como tanques de aço inoxidável com controle de temperatura e o uso de barricas de carvalho francês para o amadurecimento do vinho.

Ainda, as videiras passaram a serem plantadas usando o método de espaldeira, onde os raios de sol são melhores aproveitados e originam uvas de qualidade superior.

Dois passos importantes seguiram este momento. O primeiro, em 1995, foi quando o Brasil aderiu à OIV (Organização Internacional do Vinho) passando a respeitar uma série de exigências internacionais, retirando termos como “champagne” de seus produtos.

Já o segundo passo foi em 2001 quando Vale dos Vinhedos recebeu o primeiro selo de Indicação de Procedência, o IPVV, sendo este um  início à Denominação de Origem da região, instaurada em 2011.

Características da Zona Vitivinícola do Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul representa 90% do vinho fino brasileiro, sendo a principal zona vitivinícola do país. O Estado abriga duas macrorregiões vinícolas: a tradicional Serra Gaúcha e a Campanha Gaúcha.

A Serra Gaúcha é onde você encontra as melhores condições climáticas para a vitivinicultura. A região situa na altura do paralelo 29º, isto quer dizer que por um lado há uma boa insolação no verão, permitindo que o fruto desenvolva e, no outro, um forte inverno, que obriga a videira a descansar entre as colheitas.

Fatores pluviais dificultam a região, por conta da quantidade de chuva no ano. Daí há a necessidade de chaptalização dos vinhos, que é a adição de açúcar para conseguir o teor alcoólico que a legislação exige. Fatores que também dificultam a produção são o terreno montanhoso que tem um solo ácido, argiloso e, em sua maioria, composto de arenito recoberto de basalto.

Mesmo com tanta dificuldade, a região já registra mais de 14 mil estabelecimentos que são ligados à viticultura.

Vinhos das castas Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, Riesling entre outras, são amplamente produzidos, mas a região ficou internacionalmente reconhecida por ser palco dos melhores espumantes do Brasil, produzindo nomes como o 130 da Casa Valduga.

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Outras zonas vitivinícolas do Brasil que tem chamado a atenção é a região do Vale do São Francisco, nos Estados de Pernambuco e Bahia, a Serra Catarinense, cidades pequenas no entorno da cidade de São Paulo, como Vinhedo, Espirito Santo do Pinhal e São Roque.