Dentre os muitos fatores importantes na composição de um vinho estão a videira e a cepa. A aparição da videira data de 65 milhões de anos atrás e sua domesticação pelo homem ocorreu durante o período Neolítico, quando surge a agricultura e o homem deixa de ser nômade.

As videiras hoje cultivadas pertencem ao gênero Vitis que, junto com outros dezenove gêneros, pertence à família das Vitáceas. A espécie de Vitis mais conhecida é a Vinífera, mas podemos encontrar outras como Vitis Labrusca, Rupestris, Riparia, Berlandieri e Amurensis.

Os frutos das videiras, as uvas, são, junto ao terroir, protagonistas no DNA de um vinho. Segundo Roberto Gerosa, colunista de vinho do site da IG, existem 24.000 nomes para mais de 3.000 variedades de uvas e cada qual com suas características próprias.

A cepa mais indicada para o terroir é uma escolha do produtor que também deve conduzir as videiras e suas uvas durante todo o seu desenvolvimento. As mais conhecidas são as francesas, mas a cada dia outras cepas vêm ganhando mais espaço no mercado.

Abaixo, uma pequena lista com algumas das cepas mais importantes e suas principais características, que podem mudar conforme o país e o terroir. É interessante lembrar que apesar de algumas cepas terem cascas vermelhas e outras brancas, o suco é sempre incolor. É o contato das cascas com o suco que torna um vinho tinto ou rosé.

Cepas Tintas

Cabernet Sauvignon

Derivada de um cruzamento de Sauvignon Blanc com Cabernet Franc é a cepa francesa mais conhecida. Plantada principalmente na região de Bordeaux, sobretudo na margem esquerda do Rio Gironde, cobre aproximadamente 50% da região do Médoc. Costuma ser misturada a Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot.

Hoje já está difundida em muitos países e é a cepa de grandes vinhos do Novo Mundo. Costuma dar origem a vinhos de cor intensa que vão dos semi-encorpados aos encorpados.

Quando jovens, apresentam taninos bem marcados que, com o passar dos anos, ficam mais delicados. É essa boa quantidade de tanino que dá aos vinhos dessa cepa boas condições de envelhecimento.

Apresenta aromas de frutas vermelhas e, quando envelhecido, de tabaco, café e chocolate escuro. O aroma de pimentão verde é característico, mas pode representar um sinal de defeito se apresentar um gosto vegetal excessivo.

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Cabernet Franc

Em 2006, cobria aproximadamente 48.000 hectares no mundo, sendo 39.000 na França. É uma cepa sensível às pragas e doenças das vinhas e amadurece maios cedo do que a Cabernet Sauvignon.

Produz vinhos finamente estruturados e menos tânicos. Um exemplo dessa cepa bem utilizada é o famoso Château Cheval Blanc (Saint-Emilion) que faz um corte de aproximadamente 60% Cabernet Franc e 40% merlot.

Grenache ou Garnacha

Cepa de origem espanhola é bem adaptada à região mediterrânea como Vale do Rhône, Languedoc-Roussillon e Provence na França, assim como regiões da Espanha, Itália e Grécia.

Dada a intensidade de sol dessas regiões, os vinhos feitos de Grenache costumam ser bem alcoólicos. Seus aromas de frutas vermelhas maduras e especiarias são marcantes. Também é utilizada para a produção de vinhos fortificados, como Banyuls do Roussillon, ou de rosés.

Malbec

Dá origem a bons vinhos no sudoeste francês e aos vinhos argentinos mais famosos. Possui uma grande quantidade de pigmentos e taninos, produzindo assim vinhos fortes.

Na França também é conhecida como Auxerrois ou Côt, conforme a região. Costuma apresentar aromas de cassis maduro, lavanda e especiarias.

Merlot

cepa cultivada ao redor do mundo, passando pela América, Austrália, África do Sul e Leste Europeu entre outros. Na França, é associada à região de Bordeaux, principalmente à margem direita do Rio Gironde. O famoso Château Petrus, situado em Pomerol, faz seu excelente vinho com 95% de uvas merlot.

Menos tânica e de amadurecimento mais rápido que a Cabernet Sauvignon, sua companheira ideal. Quando misturada a ela, dá flexibilidade ao vinho. Confere à bebida aromas de ameixa, cassis e rosas entre outros.

Pinot Noir

É outra grande estrela dos vinhos franceses. Também é encontrada em outros países como Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Alemanha, onde é conhecida como Spatburgunder.

Na França, se encontra principalmente na Borgonha e em Champagne, onde se mistura às cepas Chardonnay e Pinot Meunier. É uma das cepas de amadurecimento mais rápido e não é nem muito tânica e nem muito ácida.

Fornece vinhos de coloração mais clara e complexidade de aromas: frutas vermelhas, violeta, especiarias, tabaco, capim e também aromas terrosos e animais.

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Syrah

É a cepa principal do Vale do Rhône, mas é também muito difundida na Austrália, onde responde pelo nome de Shiraz. Cepa sensível às pragas produz vinhos de cor muito intensa, ricos em taninos e que costumam apresentar aromas de violeta além de notas apimentadas e defumadas.

Cepas Brancas

Chardonnay

É uma cepa globalmente famosa. Encontramos vinhedos de Chardonnay nos Estados Unidos (sobretudo na Califórnia), Austrália, Áustria e Itália entre outros. Na França é a protagonista da Borgonha, onde produz maravilhas como Montrachet, Mersault, Corton-Charlemagne e outros Grands crus.

Em Champagne é misturada à pinot noir e pinot meunier e, quando sozinha, dá origem aos finos Blancs de Blancs. Seus vinhos são elegantes e, em geral, apresentam aromas de frutas brancas como pêra, pêssego e lichia, mas também de manteiga, pães grelhados, brioche e notas cítricas.

Chenin Blanc

Pode ser encontrada na Califórnia, Argentina, Nova Zelândia, Austrália e África do Sul, onde ganhou bastante espaço.

Na França, é uma das grandes cepas do Vale do Loire onde dá origem a vinhos brancos secos, doces ou mesmo efervescentes. Seus aromas e gostos variam conforme a sua vinificação: se doces, trarão deliciosos aromas de mel, acácia e frutas cristalizadas; se secos apresentarão aromas cítricos e uma grande vivacidade dado seu bom nível de acidez.

Gewurztraminer

Tem sua produção concentrada na região do Mosel (Alemanha) e na Alsácia (França), mas também está presente nos Estados Unidos, Áustria, Espanha e Itália entre outros.

Na Alsácia, é classificada como uma das quatro cepas nobre (junto a pinto gris, riesling e muscat), dando origem a bons grands crus que vão de secos a doces. A gewurztraminer é muito conhecida por seu caráter aromático que traz notas de especiarias, frutas cítricas, rosa e de frutas brancas como lichia.

Muscat Blanc

é uma das cepas mais antigas do mundo e normalmente é associada a vinhos doces, porém também dá origem a vinhos efervescentes e secos.

Pode ser encontrada em muitos países como Portugal, Itália, Alemanha, Califórnia e Austrália. Na França, seu cultivo se dá principalmente na Alsácia, onde é classificada como cepa nobre. A Muscat é a única dentre todas as cepas a apresentar aroma da própria fruta. Além desse, notas de damasco, lichia, frutas tropicais e notas florais.

Riesling

uma das cepas mais famosas no mundo junto a Chardonnay. Tem como principais palcos a Alsácia (cepa nobre) e a Alemanha. Na Alsácia encontramos rieslings secos e de colheita tardia e na Alemanha secos, doces e o famoso Eiswein, o vinho de gelo.

Também é encontrada em outros países do mundo, porém não com o mesmo sucesso. Seus aromas são delicados, frutados, florais e às vezes muito minerais. Seu vinho costuma ter acidez elevada e baixo teor alcoólico.

Sauvignon Blanc

Só apareceu na França após a crise da filoxera e a partir de então foi exportada pro resto do mundo. Presente em países da América do Sul, Estados Unidos e Espanha, foi na Nova Zelândia que ela obteve grande êxito, trazendo uma boa reputação para o país. Na França, é encontrada principalmente em Bordeaux onde é misturada à Sémillon e Muscadelle para dar origem aos grandes vinhos doces como Sauternes e Barsac.

Junto a Chenin, faz a fama do Vale do Loire com vinhos secos e aromáticos. Seus aromas mais freqüentes são de frutas cítricas, frutas brancas e flores. Atenção, pois quando suas uvas são colhidas antes de atingirem a devida maturidade, a Sauvignon dá ao vinho um aroma que os franceses chamam de “pipi de chat”, ou seja, de xixi de gato.

Sémillon

Uma cepa bastante vigorosa e produtiva que responde bem ao fungo nobre Botrytis Cinerea. É muito presente na Região de Bordeaux onde é principalmente associada à Sauvignon e Muscadelle para dar origem a grandes vinhos doces.

Representa quatro quintos do corte do Château d’Yquem, um dos vinhos doces mais famosos do mundo. Pode ser encontrada em muitos países como Chile, Argentina, Estados Unidos, Austrália e África, onde, antigamente, era conhecida como Wyndruif. Por ser uma cepa muito produtiva, mas não muito aromática, os produtores reduzem seus rendimentos para concentrar seus aromas e sabores.